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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Inajar de Souza é a via campeã de atropelamentos

Levantamento dos Bombeiros aponta que corredor de ônibus da Zona Norte registrou 42 casos em 2009

LUCIANO CAVENAGUI

lucianoc@diariosp.com.br

Av. Inajar de Souza X Rua Itupava - Hora: 7,58

A Avenida Inajar de Souza, na Zona Norte, é a campeã de atropelamentos na cidade, considerando as principais vias que integram os corredores de ônibus da metrópole. Foram 42 casos em 2009. O levantamento exclusivo, obtido pelo DIÁRIO junto ao Corpo de Bombeiros, leva em conta todos os tipos de atropelamentos, incluindo desde casos de menor gravidade até mortes. Os dados consideram todos os casos atendidos pela corporação em 0920.

Em segundo lugar do ranking, figura a Avenida Rebouças, na Zona Oeste, com 35 atropelamentos, sendo seguida pela Avenida Guarapiranga, na Zona Sul, que registrou 30 casos.

De acordo com comerciantes e moradores que trabalham ou residem no entorno da Inajar de Souza, ouvidos pelo DIÁRIO, a avenida encabeça a lista principalmente por duas razões: motoqueiros não respeitam o semáforo fechado e muita pessoas não atravessam a via nas faixas de pedestres.

“No ano passado, eu presenciei quatro atropelamentos feitos por motoqueiros aqui na avenida. Eles simplesmente não respeitam o sinal vermelho e ‘furam’ em alta velocidade”, afirmou Ronei da Cruz, de 34 anos, gerente do posto de combustível Rede Papa, na altura do número 3.500 da Inajar de Souza.

Em frente ao estabelecimento, tem uma faixa de pedestres perto de um ponto de ônibus do corredor. “Nos casos que eu vi, as vítimas desceram do ônibus e atravessavam na faixa. Mas elas foram surpreendidas pelas motos”, contou o gerente.

A reportagem percorreu a avenida e constatou que a via é bem sinalizada, contendo diversas faixas de pedestres, semáforos e radares de velocidade. Encontrou, entretanto, várias pessoas andando fora da faixa de pedestres.

“Existe muita gente que não tem paciência de andar até a faixa mais próxima e atravessa em qualquer lugar. Os motoristas, muitas vezes, não conseguem desviar”, afirmou o mecânico Marcelo Messias de Souza, de 44 anos, que ano passado presenciou dois atropelamentos ao longo da avenida.

De acordo com a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), diversas pesquisas realizadas no Brasil e no exterior apontam que, em média, 70% dos atropelamentos são causados por culpa dos motoristas e 30% são de responsabilidade dos pedestres.

“Estudos indicam que, na maioria dos casos, os motoristas envolvidos em atropelamentos acham que os pedestres são obstáculos que atrapalham o melhor desempenho do veículo para ganhar tempo. Os pedestres não têm culpa do acidente na maioria das vezes”, afirmou o diretor da Abramet, Dirceu Alves.

Corredor será remodelado

O corredor Inajar de Souza, que inclui também a Avenida Rio Branco, no Centro, vai passar por reforma em toda sua extensão, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O projeto está em fase de licitação e abrange as subprefeituras da Casa Verde, Freguesia do Ó, Lapa e Sé.

Serão realizadas adequações e rebaixamento das paradas (de 90 centímetros de altura para 28 centímetros), instalação de novos abrigos, iluminação e aplicação de piso podotátil (que conta com guia em relevo que serve como orientação para pessoas com deficiência visual).

Também estão previstas obras de pavimentação, sinalização, drenagem, microdrenagem, melhorias de acessibilidade, implantação de ultrapassagens e reforma do Terminal Correio, ponto final das linhas de ônibus que trafegam pelo corredor Inajar de Souza.

Segundo dados da CET, entre janeiro a junho deste ano, foram aplicadas 496 multas por avanço de semáforo vermelho e feitas 682 autuações aos motoristas que invadiram a faixa exclusiva de ônibus na Avenida Inajar de Souza.

Mais radares

Segundo a companhia, para coibir excesso de velocidade, avanço ao semáforo vermelho e desrespeito à faixa exclusiva de ônibus a Prefeitura está investindo na implantação de mais radares, mas não informou quantos outros aparelhos serão colocados.
Ao longo da via, existem três equipamentos, sendo dois radares fixos (além de excesso de velocidade, também fiscalizam invasão de faixas exclusivas de ônibus) e um equipamento para o avanço de semáforo vermelho.

A CET informou ainda que a Avenida Inajar de Souza é fiscalizada e monitorada diariamente pelas equipes da companhia e pelos policiais militares do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran). Acrescentou que todas as intervenções feitas se baseiam em estatísticas que levam em conta acidentes e índices de velocidade nos locais.

Pedestre também é ‘furão’

Apesar dos motoristas serem os grandes vilões dos atropelamentos, segundo a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), os pedestres têm a sua parcela de responsabilidade. Não é raro observar pessoas atravessando ruas e avenidas de grande movimento fora da faixa de pedestres e até com o sinal fechado para elas.

No Centro da cidade, a situação é bem comum. É possível ver até mães com crianças de colo se arriscando entre os veículos. O DIÁRIO conversou com muitos desses pedestres ‘furões’ e o motivo alegado quase sempre foi o mesmo: pressa.

A reportagem ficou 20 minutos no cruzamento da Avenida da Consolação com o Viaduto Nove de Julho e flagrou diversos casos.

Um deles foi o do escrevente Paulo Gilberto, de 26 anos, que cruzou a via fora da faixa de pedestre e com o sinal aberto para os veículos. Além disso, conversava no celular.

“Sei que é errado o que eu estou fazendo, mas a gente sempre anda com pressa. Quando percebo que dá para atravessar, passo correndo. Até hoje, nunca aconteceu nada comigo”, afirmou o escrevente, esbaforido após a travessia.

A opinião é compartilhada pelo zelador Marcos Alves, de 34 anos. “Nessas horas a pressa fala mais alto. O correto seria esperar o sinal abrir e andar na faixa de pedestres, mas reconheço que só faço isso quando o tráfego está muito intenso e fica impossível de furar o sinal”, afirmou.

Para o consultor de trânsito e transporte Horácio Augusto Figueira, o problema envolve educação no trânsito tanto dos pedestres quanto dos motoristas.

“Esse panorama só vai mudar quando a educação no trânsito se transformar em disciplina obrigatória nas escolas, desde o ensino infantil. A questão faz parte da vida das pessoas, mas não do currículo escolar”, explicou Figueira.

CET diz que não é preciso passarelas

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que, por enquanto, não há previsão de instalação de passarelas na Avenida Inajar de Souza. De acordo com a companhia, estudos técnicos indicam que não há necessidade no local.

Os critérios técnicos para a implantação de passarelas levam em conta uma série de condições específicas das vias como largura, declividade, volume de veículos e limite de velocidade, existência de cruzamentos com semáforos e travessias de pedestres, entre outros critérios.

Também é avaliada as condições de segurança no entorno do local.
Antes da implantação de uma passarela, a companhia informou que diversas alternativas de engenharia de tráfego e de segurança são propostas e utilizadas para garantir a travessia dos pedestres.

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